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Recordar é viver

Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Maestro, por favor, música.
Folheando as páginas virtuais do IB, num momento de "sobre o que é que eu escrevia no início de tudo, mesmo?", sacodi a poeira e vi alguns textos melhores do que os últimos que aqui estão (apesar dos problemas de acentuação devido ao teclado estrangeiro).

Portanto, seguem alguns links do blog, escolhidos sem nenhum critério. Quem por aqui passar e não quiser perder a viagem, se sinta servido em "Arquivos", à direita.

. Em clima de Natal, memórias de infância sobre um Papai Noel desmascarado
. Irmandade do Farol: ei, brother, tem policial lá na frente
. Sob efeito das primeiras notícias sobre o massacre de Virginia Tech
. Quando se descobre uma poupança em seu nome no banco
. O da multa de trânsito em vésperas de se mudar de estado
. Aquele do primeiro quase-fim do IB

Obrigada pela atenção.

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Por falar em despedida

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Férias acabam. Relacionamentos felizes acabam. E os tristes também. Torta de chocolate acaba e o pacote de Passatempo também. As páginas da revista acabam e aí só no outro mês. Livros acabam e depois acabam de novo e de novo, até que se canse de reler e aí acabam de vez. Seriados acabam e você torce para que vire filme depois.

Tem coisa que demora para acabar, tem coisa que acaba no rastro da pólvora. Tem coisa que não deveria acabar, mas acaba e a gente não entende muito bem o porquê e pergunta como essa vida é injusta e tudo é cruel e cinza e odioso. Tem coisa que acaba e é um alívio refrescante maior que pasta de dente Kolinos fresh. Tem o acabar que vai de pouquinho em pouquinho, grão de areia descendo na ampulheta caindo... caindo... caiu.

IB, isso pode vir como um choque, diante de tudo o que vivemos, mas preciso de um divórcio amigável. Eu não sou a mesma, você não é o mesmo, desgastou. Fica o carinho, certo? Não, ainda não existe Outro nessa história. Não ainda, mas pode haver no futuro. Em nome do respeito mútuo, você será o primeiro a saber.

we'll always have paris. e dc e ny e detroit. e salvador. agora são paulo. beijos.

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Entre encontros e desencontros

Domingo, Junho 28, 2009

Tal qual Bill Murray sentado na beira da cama, você senta e pensa. Lá vem mais uma despedida. Porque despedida é sempre despedida. Umas são mais dolorosas do que outras. Outras são mais mal-resolvidas do que as anteriores. Algumas mais fáceis, outras ainda mais difíceis. Não importa se o lugar de destino está a 10km de distância ou do outro lado do oceano, a despedida...

Às vezes a gente tenta evitar. Solta a piadinha anti-constrangimento. Vira a cara para engolir o choro. Opta até mesmo por não se despedir e abraçar e toda aquela coisa pra passar incólume. Mesmo nesse caso, não tem como fugir daquele sentimento estranho, mais apertado do que a mala que se tenta fecha a todo custo e sem sucesso.

Como aquela mala, você tem coisa demais dentro, coisa que não dá pra se jogar fora, coisas que não se pode deixar pra trás, coisas que você -- querendo ou não -- não consegue evitar de levar consigo. Ai, excesso de bagagem...

Especialistas em chegadas e partidas pensam em estratégias, já sabem como lidar com a burocracia toda -- ou pelo menos sabem como deveriam lidar. Caem, no entanto, no mesmo clichê do sentimento do adeus ou até-logo. Aí segura a pieguice pela mão, tenta levar o mínimo possível do necessário na mala real e na metafórica, abraça na esperança do retorno, guarda aquele bilhete do café, vislumbra o horizonte e vai. Mais uma vez. E sem escalas.

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Anti-social mode on

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Tem dia que meudeusdocéu. Falar nunca foi um problema na minha vida. Pelo contrário, talvez falar demais e sempre não favorece, às vezes. Admiro a outra porcentagem da humanidade que é mais ensimesmada, pensativa, tímida. Pois é, não tô inclusa nela, porém.

Aí hoje eu acordei sem vontade conversar sem porquê. Quer dizer, acordar é normal, eu digo continuar o dia mesmo, fazendo o tipo reflexiva de ser. Claro, mesmo nos dias de tagarelice, tem o lance de manter a imagem de rabugenta e tal (lembra do Clint Eastwood rosnando em Gran Torino?), só que em dias como o de hoje, você até tenta disfarçar, mas não tá a fim de papo.

Cancela de sair com os amigos, cancela, cancela. Fica só com o livro, fica só. Então. Ah, já meio que perdi a vontade de escrever esse texto meio sem sentido.

Hit the road, Jack
Quando eu já pensava em criar um novo blog, começar tudo de novo, com outro título e outras coisas... Eis que surge uma nova invasão. Não tão bárbara, como no sentido original, mas acho que pode ser bárbara de alguma forma. Espero que seja bárbara, enfim.

Bota mais essa no currículo.

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Risômetro

Sábado, Maio 09, 2009

(extraído do Boletim Cooltural -- B-Coolt)

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Bola pra frente

Quarta-feira, Maio 06, 2009

De repente se faz um silêncio monumental, por milésimos de segundo. Ao seu lado, a ausência de som continua enquanto a onda emitida do outro lado do estádio chega até você. Uuuuuu, grita, num levante, a torcida adversária. Dos vizinhos de arquibancada não se escuta muxoxo ou palavrão. O cara tatuado com o escudo do clube esfrega o rosto desolado e olha pra você, cúmplice.

Nesse momento, você partilha um sentimento com aquele cara que você nunca viu na vida e provavelmente jamais virá a ver. Aliás, com ele e com todo o lado de cá do estádio. Nessa aglutinação coletiva, o "a esperança é a última que morre" vai ao "eu acredito" e recua pro "puta que pariu". E assim sai a torcida desolada de volta pra casa, na chuva, pisando na lama e ouvindo o deboche rival.

Ainda sim. O futebol é mágico.

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Da arte de ser uma míope assaltada

Segunda-feira, Abril 27, 2009

Como para tudo há uma primeira vez, já diz o clichê, eu fui assaltada. Depois de ouvir inúmeros relatos de outras pessoas, eu já esperava que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer comigo. Até porque eu estou no extemo oposto daquelas pessoas que acertam seis dezenas da Mega-Sena. E aí foi assim, a caminho do trabalho, de manhã e com faca no pescoço.

Eu esperava algo mais tipo um "passa a carteira" ou "passa o celular". Mas não. Comigo foi um "passa a bolsa", aquela gigante que eu carregava minha vida dentro. O maluco, descalço, saiu correndo assim, então, com a minha vida lá dentro. Pelo menos ele deixou a vida do lado de fora, o maldito conformismo com tudo isso me faz admitir.

Aí depois você sai do choque e reage da forma como Deus (?) fez a sua personalidade. No meu caso, sentei às margens do Rio Piedra (blergh) e chorei. Depois do chororô, você começa a se lembrar por etapas daquilo que foi levado dentro da bolsona. Putz, o bloquinho com anotações importantes. Merda, o estojo de maquiagem (perdão pelo momento "menininha"). Droga, LEVARAM OS MEUS ÓCULOS DE GRAU.

******Morri*******

Nerd que é nerd sabe: mudar armação dos óculos é praticamente fazer uma plástica facial. E eu realmente não estava psicologicamente preparada para este momento right now. Não mesmo. Ainda mais agora que resolvi abandonar as lentes de contato -- assim como o Los Hermanos: -- por tempo indeterminado.

Polícia me liga: "oi, achamos sua bolsa jogada por aí, com documentos e até cartão de crédito, que sorte". E os óculos de grau, seu moço? "Ah, minha filha, dê graças a Deus (?) que você tá recuperando esses documentos". Como assim? O cara acha que meus óculos são de valor pra trocar por droga? PQP.

Pois então, novamente conformada, fui ao shopping atrás de novos óculos e provei mil. E se tivesse mais, eu provaria mais. Nenhum era IGUAL ao meu par, que já iria completar uns quatro anos de relação estável comigo. Eu trocava a lente, trocava as perninhas dele, mas jamais a armação. Praticamente uma viúva, eu escolhi um novo companheiro, a ser resgatado amanhã. Veremos se isso vai dar certo. (literalmente)

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Soneto da futebolidade

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Outro dia, vendo jogo com amigos, soltei: "Pô, Apodi (do Vitória) também é f*, toda hora ele se joga na área pra tentar cravar um pênalti". Surpreso, um cara ao lado retorquiu: "Você ouviu isso de qual homem? Porque isso não saiu da sua cabeça". Ultraje sexista. Eu amo futebol e acho até estranho nunca (?) ter falado sobre aqui no IB.

Às vezes é difícil acreditar que existe gente que não gosta de futebol. Ok, isso soa intolerante e até primitivo, confesso, mas também soa brasileiro. Isso não quer dizer que é "menos brasileiro" quem não gosta de futebol. Quer dizer apenas que tudo é tão futebol-futebol-futebol ao redor, que é de se admirar que existam pessoas que remem contra a maré (viva!).

Mas enfim, o ponto é: discutir futebol é um hobby coletivo. É inexplicável (= isso é porque eu tentei uma expressão para explicar, sem sucesso). Arranjei até um time local, o Bahia, porque não dava pra querer discutir futebol sem corinthiano em volta -- sendo uma palmeirense (porcoooo! porcooooo!) morando em Salvador.

Desde criança, acompanhava jogo em estádio com meu pai ou ia para vê-lo em campo. Depois que ele largou a vida de boleiro, aí era ouvir ele assistir a XV de Piracicaba versus Gama na TV, dentre outros "clássicos" do tipo. Acho que foi assim, mezzo por osmose mezzo por genética, que se deu o caso de amor com o futebol.

... Felipão no seu reinado durante a Era Parmalat, até mesmo de shortinho...

Assim como rolam aqueles ídolos no cinema, na música, na literatura, na política, existem os do futebol. Aqueles que, por algum tipo de identificação ou acaso platônico, têm lugar cativo no ventrículo do seu coração.

Grande Felipão, técnico de uma época áurea do Palmeiras, na briosa era Parmalat, nos saudosos anos 90. Ainda no Palmeiras, o goleiro Marcos, símbolo do time (médio) no (morno) fim dos anos 00. Rivaldo, de Barça e Brasil, os ainda-hoje-atuantes Ronaldos, Kakázinho lindo e por aí vai.

Seria muito mais fácil se eu fosse poeta e soubesse fazer um soneto de ode ao futebol. Quiçá um haikai. Mas, enfim, esse post taí pra lembrar que nesse espaço da blogosfera também se acha que 22 homens correndo atrás de uma bola é uma das melhores invenções da humanidade. Fim de papo.

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You got to hold on

Sábado, Abril 18, 2009

Então. Eis que um filme me fez chorar quando eu já pensava que nada mais ia abalar meu coração tamanho PP*. Porque um dia eu já chorei quando o tio do Peter Parker morreu, mas já não chorava mais como os meus vizinhos de poltrona. Por exemplo ao ver os Oscarizados Benjamin Button e O Leitor, nem rolou forçar uma lágrima solitária. Aí veio o fim de semana passado, com duas idas ao cinema e tudo voltou ao normal.

Clint Eastwood sempre me dá nocaute. Sempre, sempre. Ele não é Lula, mas é O Cara. Gran Torino também me lembrou tanta coisa junta, ser um invasor bárbaro no estrangeiro, ver bandeirola americana na rua. Fiquei curiosa pra saber em que parte de Michigan foi gravado o filme. Não procurei nem saber o que tão dizendo do filme por aí na blogosfera ou nos sites pipocas da vida. Quero guardar o sentimento que ele me deixou, assim, sem influência externa, guardadinho comigo.

Fora que adoro rabugentos (os do bem). Identificação com esse tipo de pessoas, maybe. E nessa semana eu fiquei com vontade rosnar tal qual o Clint no filme inúmeras vezes. Rosnar é legal.

Aí quando eu já me dava por feliz com a experiência cinéfila da sexta-feira, fui ver O Casamento de Rachel no sábado. Rola até um sambinha pra gringo ver no fim do longa. Isquidumdumdum depois de casamento indiano. Família alternativa, mundo musical.

E aí vem a cena linda em que, naquelas formalidades que americano sempre arranja, tem os votos que os noivos fazem um pro outro. O noivo canta Neil Young pra mulher. Puta, dá até (quase) vontade casar assim. (update: o longa nem é do tipo feliz, essa cena é um contrapeso no resto do tom do longa, eu acho)

You know it ain't easy/You got to hold on/ She was an unknown legend in her time/ Now she's dressin' two kids/ Lookin for a magic kiss/She gets the far-away look in her eyes.



*Ah, isso é porque um dia a médica pegou um raio-X do meu tórax, deu tipo uma interjeição de sustinho e soltou: "nossa, seu coração é tão pequeninho." Aí eu descobri uma boa desculpa pra certas coisas da vida.

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Frusta e ação

Terça-feira, Março 17, 2009

Ninguém gosta de ser contrariado e que as coisas fujam ao planejamento. Principalmente se "ninguém" for um virginiano. Olha a frustração batendo na porta. Igual quando você tinha lá uns seis anos, pediu um Super Nintendo de aniversário e recebeu um Nintendinho. (rá, viva os anos 90!) Os anos passam e os virginianos se tornam mais... virginianos, e as decepções, bom, elas acontecem em outras gradações.

O lance é: você aceita as coisas e depois acaba começando a se convencer que ficou até bom do que jeito que as coisas ficaram. Talvez até melhor mesmo. Foi assim que eu descobri que o Mario Bros. e o Top Gear do meu videogame antigo eram mais legais do que os do novo. É assim que também se descobre que as coisas podem ser legais não só apesar, mas porque certas coisas lhe frustraram.

Isso não é uma ode ao conformismo, só uma ode à adaptação. moving on.

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